Ninguém Se Importava com GTA 3 Antes do Lançamento
Embora muitas pessoas pensem que a famosa franquia Grand Theft Auto (GTA) começou com GTA 3, a verdade é que a saga teve suas origens no primeiro PlayStation, com os dois primeiros jogos já explorando a temática de simulação de crimes, mas de maneira bem mais simples e centrada em controle de veículos. Com uma visão de cima e estilos visuais que mais pareciam cartunescos, seus desenvolvedores tentaram evitar críticas de campanhas moralistas sobre a violência nos jogos.
Foi então que a DMA Design, atual Rockstar North, decidiu arriscar tudo e criar Grand Theft Auto 3, inicialmente planejado para ser lançado no Dreamcast. Contudo, devido ao fracasso do console, a equipe foi forçada a mudar de estratégia e direcionar o jogo ao PlayStation 2. O resultado foi nada menos que revolucionário: GTA 3 transformou o conceito de mundo aberto nos games, vendeu quase 15 milhões de cópias e deu início ao império lucrativo que conhecemos atualmente. Entretanto, no começo, ninguém parecia interessado no jogo, e essa não é uma afirmação apenas baseada em sua recepção retrospectiva; foi o que disse Dan Houser, cofundador da Rockstar e principal roteirista da série.
Num contexto onde o segundo trailer de GTA 6 quebrou recordes no YouTube em suas primeiras 24 horas, é difícil imaginar um cenário onde GTA 3 não gerou expectativa. Nos meses anteriores ao lançamento, a equipe acreditava que o jogo seria uma grande surpresa, mas a realidade foi decepcionante quando começaram a mostrá-lo ao público, especialmente na E3 de 2001. Segundo Houser, a reação foi de perplexidade, com a audiência coçando a cabeça ao ver o que consideravam algo difícil de acreditar, misturando elementos de diversos gêneros em uma única experiência.
Na E3, todos estavam excitados com jogos como State of Emergency, enquanto GTA 3 passou despercebido. Essa frustração foi tanto que, com o tempo, a Rockstar decidiu não participar mais da E3, impactada pela falta de interesse geral. O grande escopo e as promessas ambiciosas de GTA 3 eram, de fato, difíceis de engolir para a indústria de jogos na época, o que resultou em pouca atenção na cobertura do evento.
Antes da E3, a Game Informer tinha conseguido um exclusivo do game, mas ainda assim não deu a ele a capa, que ficou com um jogo mais conhecido na época, Onimusha. Quando a revista cobriu a E3, GTA 3 não foi mencionado, enquanto State of Emergency roubou a cena. Essa falta de destaque reflete como, naquele período, havia dois grupos de jogos: os que eram hypados ancorados em promessas antigas e aqueles que surgiam do nada, como GTA 3.
Revistas brasileiras de games, como Ação Games e Super Game Power, também falharam em dar a devida atenção ao título. Enquanto houve menções breves antes do lançamento, a verdadeira cobertura e reconhecimento ocorreram somente após o lançamento, evidenciando como o público e a imprensa se surpreenderam com o sucesso do jogo. Mesmo a EGM, uma revista gringa referência na época, ignorou o lançamento até praticamente o seu dia, mencionando o jogo apenas semanas após sua chegada ao mercado.
A verdadeira discussão em torno de GTA 3 não girava em torno do que inovava, mas sim das controvérsias morais que ele traria. A indústria estava mais preocupada com as repercussões negativas do que com a inovação que o jogo trazia. Esse cenário é uma lembrança clara de como, muitas vezes, um jogo que vai revolucionar a indústria pode passar despercebido até que seja tarde demais. Algumas vezes o novo é rejeitado, e é preciso coragem para dar espaço a experiências inovadoras.





































