TEKKEN: Do TOPO do mundo ao ESQUECIMENTO
Em 1998, um jogo conquistou as locadoras de todo o Brasil. O PlayStation 1 rodando Tekken 3 atraía filas imensas nas noites de sexta-feira. Esse título não era apenas um jogo; era um fenômeno cultural. Aqueles que viveram essa época sabem da relevância que Tekken teve, não apenas no momento, mas também na forma como definiu o que entendemos por jogos de luta 3D.
Curiosamente, mesmo com a presença de lançamentos recentes, há muitos que nunca jogaram um Tekken na vida. Como um jogo que vendeu mais de 8 milhões de cópias se tornou uma lembrança distante na memória do público? A resposta não é simples e envolve decisões de design questionáveis, uma identidade que se perdeu, e uma concorrência que evoluiu mais rapidamente.
A história de Tekken nos leva aos anos 90, uma era de ouro para jogos de luta. O lançamento de Street Fighter 2 em 1991 estabeleceu o gênero como o conhecemos. Em 1993, Virtua Fighter trouxe a luta 3D para o forefront, mas a Sega não conseguiu capitalizar em cima desse sucesso. Isso deixou uma abertura significativa para a Bandai Namco, que estava em uma parceria com a Sony para o lançamento de um novo console.
Assim nasceu Tekken. O primeiro jogo chegou aos arcades em 1994 e ao PlayStation em 1995, superando Virtua Fighter em gráficos e jogabilidade. Com um controle mapeado de forma única e um elenco diversificado, o jogo rapidamente ganhou popularidade, apesar de algumas de suas mecânicas iniciais ainda estarem em desenvolvimento.
Tekken 2, lançado um ano depois, expandiu a experiência, introduzindo sistemas de reversais e um elenco maior com mais personalidades, como Jun Kazama e Lei Wulong. Este segundo título até vendeu mais de 5 milhões de cópias, solidificando a franquia no mundo dos jogos de luta.
Mas foi Tekken 3, lançado em 1997 nos arcades e em 1998 no PlayStation, que realmente elevou a série a um novo patamar. Respeitado como o melhor de todos os tempos, trouxe personagens icônicos e uma jogabilidade muito mais dinâmica. O jogo ofereceu um elenco robusto e inovações mecânicas, como o sistema de evasão lateral, que tornou cada combate uma verdadeira dança estratégica.
O impacto foi especialmente forte no Brasil, onde o personagem Ed Gordo, um capoeirista, cativou os jogadores. Ele não só representava uma parte da cultura brasileira, mas também se tornou um símbolo de resistência dentro do universo dos jogos de luta. Tekken 3 vendeu mais de 8 milhões de cópias e se posicionou como o título de luta principal no PlayStation 1.
O sucesso de Tekken levou ao lançamento de Tekken Tag Tournament, um título para o PlayStation 2 que não avançou a narrativa principal, mas explorou novas mecânicas de equipe. Já o Tekken 4, apesar de ambicioso com seus novos elementos de design, enfrentou críticas devido ao balanceamento fraco entre os personagens.
Depois de um retorno bem-sucedido com Tekken 5, que corrigiu muitos erros do seu antecessor, a série continuou a evoluir, mesmo que algumas iterações como Tekken 6 e Tekken Tag Tournament 2 enfrentassem desafios de aceitação e vendas. Esse ciclo de altos e baixos fez com que Tekken se tornasse uma série peculiar, sempre flertando entre o inovador e o familiar.
Com Tekken 7, a série ganhou um novo fôlego, introduzindo mecânicas competitivas e celebrando sua narrativa com resolução de arcos que há muito interessavam os fãs. Essa iteração não só revitalizou o interesse por Tekken no cenário competitivo, mas também trouxe novos personagens e crossovers que ampliaram sua visibilidade.
Agora, com Tekken 8 que chegou em 2024, a franquia parece ter encontrado um novo rumo. Ele traz gráficos impressionantes e novas mecânicas que buscam atrair tanto novos jogadores quanto os veteranos. Porém, existe uma tensão na comunidade, pois alguns acreditam que essa acessibilidade pode acabar esvaziando a profundidade que fez a franquia brilhar por tanto tempo.
No entanto, mesmo com seus altos e baixos, a história de Tekken é um testemunho da resiliência em um universo de jogos que muitas vezes esquece aqueles que não conseguem se reinventar. Essa é a narrativa de uma franquia que, apesar de suas dificuldades, continua a ter um lugar no coração dos fãs, revelando como algumas histórias são tanto sobre luta quanto sobre paixão e perseverança na indústria dos games.





































