KILLER INSTINCT: o jogo do FUTURO que morreu DUAS vezes
Qual era o jogo de luta mais bonito da era 16 bits? Para muitos, a resposta era Killer Instinct. Com um esqueleto que lutava com espada, um cyborg disparando lasers, velocirraptores em lutas de boxe e um alienígena feito de gelo, esse jogo se destacou entre os rivais, como Mortal Kombat e Street Fighter, na década de 90. Mas aqui estamos nós, décadas depois, e a franquia parece ter sido congelada no tempo. O último título lançado se deu em um console que muitos nem chegaram a possuir no Brasil. O que aconteceu com uma franquia tão icônica e marcante, que já foi responsável por títulos memoráveis?
A história de Killer Instinct começa com Ken Lobb, um designer de jogos que, em 1993, inicialmente pensou em um conceito chamado “Mele”. Após sua ideia ser rejeitada pela Nanco, Lobb decidiu levar seu projeto para a Nintendo da América, onde se tornou chefe de desenvolvimento. A Nintendo precisou de um forte competidor para o crescente sucesso de Mortal Kombat e, dessa forma, a parceria com a Rare, empresa britânica, se consolidou. O projeto evoluiu para Killer Instinct, que foi o primeiro jogo de arcade a utilizar um disco rígido interno, permitindo gráficos impressionantes para a época.
Com o atraso no lançamento do Nintendo 64, o jogo foi portado para o Super Nintendo em 1995. E o que se viu foi um fenômeno. A versão caseira ficou famosa por seu cartucho preto e cores vibrantes, aproveitando ao máximo as capacidades do Super Nintendo. O jogo não tinha apenas gráficos inovadores, como também um sistema de combos que revolucionou a forma de jogar, enfatizando combos automáticos e a possibilidade de interrupção das sequências adversárias com o chamado combo breaker.
Killer Instinct se destacou por seus visuais, contagiando a comunidade de jogadores na época. Os personagens eram gerados em 3D, ao contrário dos personagens de Mortal Kombat, que utilizavam atores reais escaneados, resultando em uma aparência menos fluida. O sucesso foi tão grande que, em 1996, a sequência, Killer Instinct 2, chegou aos fliperamas, mas sem o mesmo impacto da versão anterior. Enquanto o jogo era lançado, novas tecnologias de jogos 3D estavam mudando o cenário, e a franquia começou a parecer ultrapassada.
Após 1996, Killer Instinct desapareceu gradualmente. Em 2002, a Rare foi adquirida pela Microsoft, mas a franquia ficou em um hiato até 2013, quando foi anunciada uma nova versão durante a E3 como um título de lançamento para o Xbox One. O jogo recebeu boas críticas, com mecânicas bem implementadas e sistemas de combate satisfatórios, mas sua disponibilidade apenas no Xbox One limitou seu público.
Infelizmente, essa versão não alcançou o público que merecia. A falta de conteúdo na época do lançamento, com apenas seis personagens jogáveis e sem um modo arcade tradicional, frustrou muitos fãs. Com o tempo, novos personagens foram introduzidos como DLCs, mas muitos acreditam que a alocação de recursos pela Microsoft não foi suficiente para reviver a franquia como um grande sucesso. Os problemas persistiram, e a série ficou relegada a um status de culto, mas sem o mesmo brilho de antes.
A história da franquia Killer Instinct é um retrato do que pode acontecer com jogos inovadores que não conseguem manter seu ritmo e presença no mercado. A narrativa de sucesso, seguido de um desaparecimento abrupto, nos leva a refletir sobre a necessidade de um dono que aposte verdadeiramente nas suas franquias. Mesmo com a versão mais recente mostrando potencial, Killer Instinct continua sendo uma lembrança de um tempo em que a série brilhou intensamente, mas que agora aguarda uma revitalização que possa devolver a ela a glória perdida.
























