Beast of Reincarnation é a Game Freak Brincando de Nier | Review
O título “Beast of Reincarnation” vem chamando a atenção dos gamers, principalmente pelo fato de ter sido desenvolvido pela Game Freak, o famoso estúdio conhecido por Pokémon, embora essa informação não seja totalmente precisa. Na verdade, a produção foi conduzida por uma equipe interna da Game Freak, mas a maior parte do desenvolvimento ficou por conta de parceiros externos. Após seis anos de trabalho, o jogo foi moldado como um RPG de ação com duração superior a 30 horas.
Essa nova empreitada foge do que a Game Freak tradicionalmente faz, mas se alinha a uma tendência comum na indústria. “Beast of Reincarnation” é uma experiência que mistura elementos de jogos renomados como “Sekiro” e “Final Fantasy VI Remake”, porém não consegue atingir a mesma excelência que suas inspirações. Contudo, o jogo brilha em um aspecto específico: a construção de seu mundo.
O ambiente em “Beast of Reincarnation” é indiscutivelmente inspirador e remete ao conceito pós-apocalíptico presente na série “Nier”. Bairros em ruínas de uma Tóquio dominada pela vegetação sintética proporcionam um cenário visual fascinante. No entanto, a natureza aqui não é uma aliada, já que o apocalipse foi causado por uma doença conhecida como Pestilência, que contamina tanto humanos quanto animais, gerando feras que controlam a flora ao seu redor.
O jogador assume o controle de Ema, uma seladora que, apesar de ser uma exilada, é crucial para a sobrevivência da civilização humana. Ema tem a missão de caçar a fera da reencarnação, responsável por ressurgir a cada 100 anos e espalhar a Pestilência. Essa relação entre a protagonista e seu mundo reflete um tema bem conhecido por fãs de “Nier”: a luta de um personagem ostracizado que carrega um fardo pesado.
Durante sua jornada, Ema encontra um lobo infectado pela pestilência, que se torna seu fiel companheiro. Essa dinâmica com seu parceiro de combate traz um elemento interessante à experiência, enquanto os jogadores exploram um mundo repleto de mistérios. A narrativa é repleta de detalhes que instigam a curiosidade do jogador, fazendo com que ele deseje descobrir mais sobre o passado sombrio da civilização.
A mecânica de jogo é um ponto que merece destaque. “Beast of Reincarnation” alcança um equilíbrio entre combate e exploração, com uma estrutura de mundo semiaberto que permite liberdade na exploração. No entanto, o level design apresenta algumas falhas, evidenciadas por momentos em que os jogadores ficam presos em cenários. A Ema tem habilidades únicas, como criar vinhas que a ajudam a atravessar áreas e evitar confrontos desnecessários.
No quesito combate, o jogo é claramente influenciado por “Sekiro”, oferecendo mecânicas de stealth e parry. Contudo, o sistema de parry pode frustrar em algumas situações, especialmente quando um jogador erra o tempo necessário para defender-se. Além disso, a variedade de inimigos é limitada, resultando em uma repetição de padrões ao longo da experiência que duraria mais de 30 horas.
A parte técnica de “Beast of Reincarnation” é uma faca de dois gumes. Embora o título seja um jogo visualmente atraente em certos aspectos, a clareza das imagens poderia ser melhorada. A jogabilidade é relativamente estável, mesmo em modos mais exigentes de performance. Um recurso interessante é a opção de melhorar a qualidade gráfica em momentos de cena, mantendo um desempenho liso durante a jogabilidade.
A narrativa é apresentada por meio de cutscenes com um ritmo que pode parecer lento para alguns, evocando a estética dos JRPGs de gerações passadas. Isso pode ser benéfico para veteranos do gênero, mas pode afastar jogadores acostumados a um ritmo mais acelerado. Assim, “Beast of Reincarnation” é mais do que apenas um jogo; é uma vitrine de conceitos que foram refinados na indústria de jogos.
Em conclusão, “Beast of Reincarnation” é um tributo à essência de “Nier”, capturando sua melancolia e sua narrativa profunda, enquanto apresenta mecânica de jogo e elementos que, embora não sejam inovadores, agradam ao público. Se você é fã do estilo de “Nier” e pode aceitar algumas repetitividades na jogabilidade, certamente encontrará valor e beleza nesta nova aventura.





























