Se o Jogo Não Durar X Horas, Não Vale a Compra?
A frase “se tal jogo não durar X horas, não vale a compra” tem se tornado cada vez mais comum nas discussões sobre videogames. Recentemente, vi muitos comentários sobre essa questão, especialmente em avaliações de jogos como Resident Evil Re:Quinta. Esses títulos, que são experiências fantásticas, podem ser finalizados em menos de 10 horas, o que tem causado certa estranheza em muitos jogadores. Essa ideia de medir o valor de um jogo exclusivamente pelo tempo de jogo é, para mim, uma abordagem problemática.
Se considerarmos a duração de um jogo como a principal métrica para determinar seu valor, corremos o risco de incentivar a indústria a criar jogos que são recheados de conteúdo desnecessário. Isso pode resultar em experiências longas e cansativas que não respeitam o tempo dos jogadores. Pessoalmente, prefiro investir em um jogo de 8 horas que é empolgante do início ao fim do que em um título de 100 horas que apenas adiciona conteúdo repetitivo.
Um exemplo disso é minha experiência com Assassin’s Creed Valhalla. Apesar de ter uma narrativa que me interessava, cheguei a um ponto em que as atividades se tornaram maçantes e repetitivas. As horas de tédio que eu teria que enfrentar para concluir a história informaram minha decisão de abandonar o jogo, mesmo já tendo dedicado 40 horas a ele. Em contraste, joguei Screamer, um jogo de corrida com temática anime, e terminei em cerca de 10 horas, mas desfrutei cada segundo dessa experiência.
É curioso notar que, no universo dos cinemas, raramente ouvimos alguém reclamar da duração de um filme. Por que, então, isso se torna tão comum entre os gamers? A verdade é que a considerável duração de um jogo não é sinônimo de qualidade. Jogos curtos podem ser incrivelmente gratificantes. Existe, claro, a possibilidade de que alguns jogos, por sua brevidade, não sejam bons, mas a mesma regra se aplica a jogos longos. Um jogo que tem a capacidade de reter a atenção do jogador, mesmo que por um curto período, pode ser muito mais valioso do que um jogo longo que se arrasta sem oferecer experiências significativas.
Ao ficarmos fixados na duração, a mensagem que enviamos para a indústria é que devemos ter mais conteúdo, mesmo que isso signifique adicionar missões repetitivas ou sequências de caminhada desnecessárias. Essa visão não necessariamente valoriza o tempo do jogador. Embora eu entenda a lógica de optar por um jogo que prometeu mais horas de conteúdo, isso simplifica demais a experiência de jogos, que vão muito além do simples ato de completar uma campanha.
Retornando aos exemplos de Resident Evil. Muitos jogadores terminam um título apenas uma vez e consideram sua experiência completa. Contudo, a realidade é que jogos como Resident Evil são feitos para serem rejogados. Os elementos desbloqueáveis, modos adicionais e a diversão de masterizar um desafio são partes essenciais da experiência. É imprescindível reconhecer que a duração da campanha não reflete a totalidade da experiência de um jogo.
Outra questão que merece destaque é a cultura do backlog e o “medo de perder” (FOMO). Muitos jogadores se sentem pressionados a terminar jogos rapidamente, criando uma relação superficial com eles. Isso fez com que alguns jogadores vejam os jogos como meros produtos para consumir em vez de experiências enriquecedoras. Esse tipo de pensamento pode levar à desvalorização de jogos que, embora curtos, oferecem um conteúdo mais impactante e memorável.
Por isso, quando vejo comentários que desmerecem jogos baseados em sua duração, sinto que é um reflexo de uma mentalidade que pode privar os jogadores de experiências significativas. Um jogo curto, mas que ressoe emocionalmente, pode valer mais do que muitas horas de conteúdo desinteressante. O fator replay, há muito discutido nas análises de games, ainda é um conceito relevante que deve ser considerado. Em última análise, o que importa é a qualidade da experiência, não apenas quantas horas de jogo ela oferece.





































